terça-feira, 26 de março de 2013

Como lidar com a sexualidade na infância

Seu filho de dois anos acorda e diz: "Olha como meu pipi está grandão". Você passa pelo quarto de sua filha de cinco anos e a surpreende brincando de médico com o amiguinho. Embora esses acontecimentos façam parte da infância, da mesma forma que joelhos arranhados, os pais levam um susto quando suas crianças demonstram, abertamente, sua sexualidade. Muitas vezes a orientação psicológica pode ajudar nessa tarefa.

O maior desejo dos pais é que seus filhos se sintam bem consigo mesmos, que aprendam a expressar afeto, e, no entanto, reprimem as tentativas na busca de informações e prazer. Logo quando a criança começa a falar, ensinamos musiquinhas mostrando onde é a boca, a orelha, já os órgãos genitais são esquecidos, ou inventam-se nomes para eles. Se nariz é nariz, por que vagina é "xoxota"? Fica parecendo que esses nomes são feios, proibidos.
 
De acordo com a psicóloga Érika Vendramini, esse comportamento aumenta, ainda mais, a curiosidade sobre o seu corpo e o corpo do outro.
 
Como essa curiosidade é muito grande, devido ao fato da criança começar a perceber as diferenças entre seu sexo e o sexo oposto, é natural que ela comece e encher os pais de perguntas e queira conhecer melhor tanto o próprio corpo quanto o do outro. "Digo que essa atitude é natural, pois tanto as perguntas como as brincadeiras (de médico ou papai e mamãe) e as carícias que a criança faz em si mesma são totalmente desprovidas de perversão, existe apenas o sentido de curiosidade e prazer", diz ela.
 
Assim, é importante que as respostas às perguntas das crianças sejam dadas de forma tranquila, para que elas aprendam os comportamentos adequados, mas não se inibam, pois isso poderia resultar na procura de outras fontes de informação e prazer (nem sempre adequadas). Mas a psicóloga alerta que os pais devem responder apenas aquilo que a criança perguntou, pois, quando ela tiver condições de entender melhor, perguntará mais e mais. "Devemos nos questionar sobre como conviver com o conhecimento de que as crianças também se expressam sexualmente, e lembrar que é nossa responsabilidade que elas se tornem adultos sexualmente sadios, sem problemas ou disfunções sexuais, causados pela dificuldade dos adultos de lidar com esse fato", finaliza Érika.http://idmed.terra.com.br/saude-de-a-z/saude-da-crianca-e-do-adolescente/saiba-como-lidar-com-a-sexualidade-na-infancia.html

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Como lidar com o ciúme do filho pequeno ao engravidar

A gravidez para um casal é sempre um momento mágico, de muita alegria, mas, se o casal tem um filho pequeno, isso pode causar ciúmes e desconforto para o menor. Para lidar com isso da melhor maneira possível, a psicóloga Erika Vendramini aconselha a contar para o filho assim que souber da gravidez, para que o filho mais velho tenha tempo para assimilar e acostumar-se com a ideia de ter um irmãozinho. Além disso, a criança vai ficar segura por perceber que os pais não guardam segredos, e que ela está incluída em todos os planos da família. "Uma boa forma de contar é dizer que a família vai aumentar e que todos estão felizes com isso", explica a psicóloga.
Outro conselho é "apresentar" o bebê à criança mais velha desde o útero, mostrando desenhos adequados à idade dela sobre o desenvolvimento do bebê mês a mês, até o nascimento, mostrar o ultrassom e levá-la junto para que ela ouça o coração do bebê, além de explicar as mudanças físicas pelas quais a mamãe irá passar, como o crescimento da barriga e o cansaço. Explicar também como é a rotina de um bebê e os cuidados que ele exige também é fundamental, evitando comentários como "Você terá um amiguinho para brincar!", para que ela não se frustre com o tempo que terá que esperar até que isso realmente aconteça.
A psicóloga aconselha também que qualquer alteração na rotina da criança, como retirada de fraldas ou mamadeira, ida para a escolinha, troca do berço para a cama, entre outras, deve ser feita antes do nascimento ou bem depois, para que ela não associe as "perdas" com a chegada do irmão, que já é uma mudança grande na vida da criança. "Se eles tiverem que dormir no mesmo quarto, pode-se explicar que o bebê terá as mesmas necessidades que ela, como roupas, alimentação e lugar para dormir, por isso ela precisará dividir o quarto com o irmãozinho", diz Erika.
Para que ela não fique enciumada, lembre-se de não transformar o quarto dela num "quarto de bebê", mas sim num quarto adequado para crianças de ambas as idades, mantendo as coisas das quais ela precisa, acrescentando os objetos de necessidade do bebê e transformando o quarto num lugar ainda mais interessante para ela, seja com uma decoração escolhida por ela ou um móvel só dela, como uma escrivaninha, por exemplo.
Mas é claro que, mesmo tomando todos esses cuidados, o ciúme vai aparecer! No entanto, ele não é de todo mau. É nessa convivência com o outro, dividindo o espaço e a atenção, que a criança aprende a viver em sociedade e se desenvolve emocional e socialmente. Para que a criança não se sinta excluída, pode-se pedir que ela seja paciente quando te chamar enquanto você está ocupada, garantindo que dará atenção a ela depois. E realmente fazê-lo, separando um tempinho só pra ela, seja para ler um livro, brincar ou pegar no colo e dar um pouco de carinho.
Outro fato que pode causar ciúmes no filho mais velho é o fato do bebê ganhar muitos presentes ao nascer, e, nessa questão, o conselho da psicóloga é dar presentes ao mais velho também, explicando que vocês estão comemorando tanto a chegada do bebê como o fato de que agora ele passou para o "posto" de filho mais velho, então merece ser presenteado.
Uma prática comum das mães é deixar o primogênito cuidar do mais novo, acreditando que assim ele possa se sentir importante, deixando o ciúme de lado. Para Erika, essa atitude é válida, porém é necessário que isso seja prazeroso para o mais velho, e não que ele se sinta uma "babá miniatura". Para isso, não peça apenas para que ele pegue a fralda pra você. Permita, por exemplo, que ele lave os pezinhos do irmão na hora do banho, segure-o no colo com sua supervisão ou ajude a colocar uma roupinha, além de deixar que ele mate a curiosidade experimentando o shampoo do bebê ou brincando com uma fralda. E lembre-se de agradecê-lo pela ajuda, sempre!
Elogiar o filho mais velho também é importante, pois eleva a autoestima da criança. Falar que ele é mais esperto, porque sabe falar, andar e brincar, é aconselhável, pois isso potencializa suas qualidades e as vantagens de ser o mais velho, e isso não significa diminuir o mais novo, apenas elogiar tudo o que ele é e faz de bom, como o fato de ser carinhoso, de poder te ajudar, de saber pedir o que quer em vez de chorar, etc. Mostre também para o mais velho atividades que você faz só com ele, como ler um livrinho ou tomar um sorvete. "Quando a criança se sente segura do amor e da atenção dos pais, o ciúme diminui e a aceitação do irmãozinho fica mais natural", diz Erika.
A psicóloga explica que as demonstrações de ciúmes podem variar. Algumas crianças ficam desobedientes e fazem birra, outras se tornam agressivas com os pais ou com o bebê, e outras ainda regridem no comportamento, voltando a fazer xixi na calça ou falando como bebê. Nessa hora o diálogo é a melhor opção. Comece explicando ao seu filho que o que ele está sentindo é ciúme, que esse sentimento é normal e significa que ele está querendo algo que o irmãozinho está recebendo. Explique também que o bebê tem necessidades diferentes das dele, inclusive de tempo e de atenção, mas que ele pode dizer o que está sentindo para que você possa ajudá-lo. Ensine-o a dizer: "Estou com ciúme!" ou "Mamãe, presta atenção em mim!" ou "Me dá um pouco de colo também!", sem ridicularizá-lo nem dizer que esse sentimento é feio, e satisfaça a necessidade dele. Demonstrar interesse pelas necessidades e sentimentos da criança é a melhor maneira de fazer com que ela se sinta amada e respeitada.

Como lidar com o estresse de final de ano

O final do ano chegou, período de muitas festas, mas também de muito estresse. A psicóloga Erika Vendramini Moreira cita pesquisas que indicam que o estresse do brasileiro aumenta cerca de 75% em dezembro e muitas pessoas, inclusive, apresentam sintomas físicos e emocionais, como pressa excessiva, ansiedade, irritação, melancolia, sentimentos de vazio, esgotamento físico e mental e até depressão.
 
Os motivos são os mais variados e não atingem só os adultos. As crianças e adolescentes costumam ficar sobrecarregados por causa das provas escolares, notas, recuperações e vestibular. "Já os adultos em geral estão sobrecarregados com o trabalho, afinal é bem sabido que para gozarmos de alguns poucos dias de férias costuma ser necessário trabalhar dobrado antes", explica Erika.
 
E a loucura de dezembro só vai aumentando: lista de presentes, preparativos para festas, viagem em família, lojas com muita gente, compras desenfreadas, confraternizações e encontros obrigatórios e muitas vezes indesejados. "Adoramos a festa, a comemoração, esperamos ansiosamente pelo final do ano. Mas, quando ele chega, a maioria das pessoas não vê a hora que acabe para voltar à velha e segura rotina", diz ela.
 
Segundo Erika, pessoas que sofrem de depressão tendem a ter recaídas nesta época. Isso ocorre porque, com as emoções à flor da pele, muitos se entristecem pela lembrança dos que já partiram, e apegam-se às perdas e frustrações: "O Natal já não é como antes", "Este é o primeiro Natal sem minha avó" ou "Mais um ano e eu continuo na mesma".
 
"Para piorar existe certa cobrança, uma obrigação moral, de viajar para um lugar superlegal, de passar o Natal com a família embaixo de uma árvore repleta de presentes, de mesa farta e, acima de tudo, de estar plenamente feliz. No entanto, essa expectativa é irreal, o que causa frustração", exemplifica a psicóloga.
 
E as famosas listinhas de "resoluções para o Ano Novo"? Elas são bem comuns nesta época, mas geralmente são decisões com um grau de dificuldade elevado e que requerem um empenho grandioso para que sejam atendidas. A psicóloga cita alguns exemplos: promete-se parar de fumar, emagrecer, parar de brigar com filhos e maridos, tratar bem a sogra, conquistar uma promoção no trabalho, fazer um curso que sempre quis, comprar uma casa ou carro, enfim, são conquistas grandiosas. "Porém, devido às próprias dificuldades implícitas nesses objetivos, a maioria deles é abandonada no meio do caminho", diz Erika. Além disso, com o passar dos meses, a vida vai modificando-se de maneira inesperada. Uma doença, um acidente, uma mudança de emprego ou de cidade, a falta de tempo ou simplesmente uma mudança de perspectivas ou de valores, tudo isso acaba por modificar os planos e direcionar a motivação daquela pessoa para outras conquistas. "Se você conseguiu uma promoção no trabalho, talvez aquele curso que planejou no final do ano não seja mais tão importante. Se planejou uma viagem para o próximo verão, talvez o roteiro tenha que ser alterado se você engravidar, sem planejar, no começo do ano", diz Erika.
 
Deixar de cumprir tais promessas nem sempre é sinal de falta de vontade ou empenho, nem deve ser encarado de maneira pessimista. Refletir, traçar novas metas, tomar uma "injeção de ânimo" é, sim, muito importante, uma vez que direciona nossa motivação, mas não se deve tornar uma tortura.
 
De acordo com a psicóloga, o final do ano é a época em que o consultório fica mais cheio. Algumas pessoas buscam a terapia correndo atrás do prejuízo, por exemplo, se o filho repetiu de ano e a mãe não sabe o que fazer, mas a maioria busca terapia porque chega ao final do ano com a sensação de que não fez nada, de que o ano não valeu a pena, de que muita coisa ficou para trás, e tudo isso porque não atingiu os objetivos esperados. "Essas pessoas sentem-se mal, diminuídas, desanimadas, e culpam-se por não estarem tão felizes quanto gostariam. Começam a rever, então, não apenas objetivos, mas posturas, comportamentos e valores, com o intuito de que o próximo ano seja diferente", diz ela.
 
E como lidar com o estresse desta época? A psicóloga dá algumas dicas:
 
- Sair do piloto automático. Não é porque todo mundo faz as mesmas coisas do mesmo jeito que você precisa repetir. Não se obrigue a participar de tudo e agradar todas as pessoas. Aprenda a dizer "não" aos excessos, às reuniões destituídas de carinho genuíno, às expectativas alheias, a tudo aquilo que não lhe fizer sentido.
 
- Antes de presentear os outros, presenteie a si mesmo. Compre algo que deseja há muito tempo, reserve um tempo para fazer aquilo que gosta, faça uma massagem relaxante, coloque-se em primeiro lugar!
 
- Não seja tão rigoroso consigo mesmo. Antes de se punir pelo que não conseguiu fazer durante o ano, liste todas as suas conquistas e parabenize a si mesmo!
 
- E lembre-se: se você não chegou ao lugar onde esperava ter chegado neste final de ano, não é sinal de que foi derrotado. Talvez seja necessário rever os objetivos, traçar metas mais realistas e encarar os tropeços com mais otimismo.
 
"O final do ano é apenas um marco, a vida continua! Sempre haverá um Natal para refletirmos novamente, e um Ano Novo para recomeçarmos, afinal, dezembro também é o mês da esperança", finaliza Erika.
 
(Entrevista concedida para o site idmed.terra.com.br em 19/12/2012
 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Mentir: até quando é normal?

Quem nunca contou uma mentirinha no trabalho ou então para os amigos? Segundo a psicóloga Érika Vendramini, todos mentem e a mentira não apenas é considerada normal, como necessária para a vida em sociedade, por isso não se pode considerar todas as mentiras da mesma forma e com a mesma culpa. "Na psicologia a mentira em si não é suficiente para definir um quadro clínico. No entanto, como qualquer outro comportamento, se for excessivo e se causar prejuízo ou sofrimento (ao mentiroso ou ao outro), pode-se dizer que o mentir é patológico. Além disso, deve-se levar em consideração os sentimentos, pensamentos e propósitos que acompanham a mentira", diz ela.

De acordo com a psicóloga, existem vários tipos de mentiras. A chamada "mentira convencional" é aquela que faz as pessoas dizerem "Bom dia" às outras, sem que se esteja realmente desejando que elas tenham um bom dia. Existe ainda a "mentira carinhosa", que faz os adultos inventarem histórias como o Papai Noel para alegrar as crianças. Ou um tipo de mentira bondosa que consola um familiar à beira da morte, com um "Vai ficar tudo bem!". Ou ainda a chamada "mentira branca", quando, por exemplo, alguém pergunta se a outra pessoa gostou do seu novo corte de cabelo e essa diz que sim, mesmo não tendo gostado. Nesse caso a verdade seria uma tremenda grosseria e não traria benefício nenhum.

Além dessas mentiras sociais, também existem aqueles que floreiam uma história ao contá-las, para torná-la mais engraçada ou para atrair a atenção dos espectadores. "Todas essas mentiras são comuns e não são consideradas ruins justamente por serem esporádicas e não causarem prejuízo ao outro", diz a psicóloga.

Segundo ela, a mentira patológica é o contrário disso: quando causa prejuízo a alguém ou quando a pessoa mente sistematicamente. "As pessoas que têm o costume de mentir, sempre aumentando suas histórias, ou contando fatos que não ocorreram, acabam se enredando numa teia de mentiras para sustentar uma mentira inicial. Isso acaba por provocar grande desconforto a elas mesmas e àqueles que estão próximos", explica ela.

Nesses casos, segundo Érika, a pessoa tem consciência da mentira e continua mentindo. Ela dá um exemplo: "Imagine um mentiroso inseguro numa roda de conversa entre profissionais bem-sucedidos. Ele pode inventar que fez determinada faculdade para sentir-se no mesmo nível intelectual que os outros, ainda que tenha feito apenas um curso técnico. À medida que a conversa se estende e ele for questionado sobre onde fez faculdade, se teve aula com fulano, ou se conheceu sicrano, as mentiras vão se tornando cada vez maiores para sustentar a mentira inicial e ele não ser desmascarado".

Os motivos que levam uma pessoa a mentir sem limites são vários, dentre eles, insegurança, baixa autoestima, ou medo de não ser aceita como é. A psicóloga explica que essas mentiras costumam engrandecer suas habilidades de forma a passar uma imagem que ela julga melhor, aos outros. Trata-se de uma espécie de mecanismo de defesa contra um sentimento de inferioridade. Mente-se também para evitar consequências negativas às atitudes, ou seja, para evitar responder por alguma atitude errada que a pessoa tomou.

Érika chama atenção também para o fato de que algumas famílias estimulam a mentira. "Pode parecer banal, mas a mãe que pede ao filho para dizer que ela está tomando banho, quando na verdade não quer atender ao telefone, ou inventa uma doença para emendar o feriado e não ir trabalhar, está ensinando a criança a mentir. Também há casos de mentiras excessivas em famílias cujos pais são muito autoritários, repreensivos ou rígidos. A criança aprende a mentir para não ser punida ou para receber aprovação", explica.

Para as pessoas que sofrem disso, a psicoterapia é uma boa alternativa, pois assim o paciente poderá entender os motivos que a levam a mentir, e trabalhar uma possível insegurança ou baixa autoestima. Uma dica dada pela psicóloga para quem conhece uma pessoa que mente compulsivamente é mostrar que sabe que ela está mentindo, mas sem condená-la por isso. "Pode dizer que a ama e aceita exatamente como ela é, com suas qualidades e defeitos, sem precisar usar de artifícios. Demonstrar humildade assumindo os próprios erros também pode fazê-la enxergar que todos temos defeitos, todos erramos e que não há motivo para se envergonhar disso. E, por fim, mostrar o quanto ela se prejudica com as mentiras e até sugerir que ela procure um psicólogo também pode ser altamente benéfico", finaliza ela.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Limites na adolescência

   Limites: embora o assunto seja discutido, analisado e explicado pelos quatro cantos do mundo, muitos pais, embora saibam de sua importância, ainda encontram dificuldades na hora de colocá-los em prática.

Esse desafio torna-se ainda mais árduo na adolescência. Claro que é menos cansativo, afinal os pais não precisam mais ficar correndo atrás dos pequenos nos corredores do shopping, nem passar a maior vergonha por causa dos gritos, chutes e manhas, mas em compensação, com filhos adolescentes os pais tem que ter muito mais “jogo de cintura” na hora de colocar os limites.

Na adolescência existe um movimento natural de ruptura, de rebeldia contra as amarras, de luta pela liberdade, o que significa uma tentativa constante de romper os limites impostos pela escola, pelos pais ou pela sociedade.

Para conseguirem o que querem, os adolescentes contam com uma capacidade inestimável de se opor e com um mau humor que tira qualquer pai do sério. Isso sem falar que os jovens são mais bem informados e, portanto, mais questionadores. Por isso, não basta falar “não”, é preciso justificar com bons argumentos.

Devido a tanta dificuldade, às vezes é mais fácil ceder do que resistir e agüentar “bico” e mau humor. Sem paciência para argumentar, sem tempo para conversar e sem tolerância para aturar reclamações, muitos pais acabam abdicando da autoridade e deixando os filhos tomarem a frente das situações.

É necessário lembrar que limite é lição prá vida inteira, e tem que começar na infância. Não pegar o bebê no colo assim que ele faz manha, não ceder às birras no supermercado e castigar quando a criança morde o amiguinho só porque “estava com vontade”, já são formas de mostrar que no mundo existem regras a serem seguidas e que não podemos fazer tudo o que temos vontade.

Os limites são importantes para que, desde cedo nossos filhos aprendam a viver em sociedade, ou seja, aprender que existem regras de convivência em grupo, com seus direitos e deveres, e que suas atitudes têm conseqüências sobre a felicidade dos outros.

É a partir de regras simples como ter horário para estudar, ajudar nos afazeres domésticos e respeitar os outros que os jovens aprendem que não podem jogar álcool no mendigo e atear fogo “só de brincadeirinha”.

Além de necessários, os limites também são importantes para que os adolescentes sintam que alguém se preocupa com eles.

A transgressão de normas sociais fora de casa como explodir o vaso sanitário do colégio ou dirigir embriagado, representam um pedido de ajuda, a busca do “não” que não foi dito em casa.

Como tudo na vida, impor limites também é uma questão de bom senso. Castigos e imposições não tem utilidade se, na relação com os filhos não houver diálogo, compreensão e carinho.

É bem verdade que colocar limites é cansativo e chato, muito mais para os pais do que para os filhos. Exige dos pais muita maturidade para discernir e questionar o que são seus preconceitos e inseguranças pessoais e o que necessita realmente ser considerado inadequado para os filhos. Por outro lado, repreender ou permitir tudo dá muito menos trabalho, pois não gera conflitos nem questionamentos. No entanto, também não gera crescimento, nem dos pais, nem dos filhos.

Tenho um filho adolescente

   Até lá pelos 11 anos, você, pai ou mãe, foi um pouco herói, ídolo dos filhos. Eles mostravam que gostavam da sua companhia, admiravam seu jeito de ser. Pai e filho eram “amigões”, mãe e filha, “confidentes”.

De repente tudo começa a mudar. Surgem o mau-humor constante, as respostas grosseiras, as contestações, os bate-bocas sem propósito. Tudo o que você fala ou faz é desaprovado, criticado.

É fácil entender o quanto a adolescência é difícil para os jovens, frente a tantas modificações físicas, intelectuais, afetivas e sociais. Mas também o é para os pais, que além de sentirem-se ignorados, agredidos, se perguntam: Como lidar com essa fase, com o problema da violência, das drogas, das agressões, dos medos, da sexualidade exacerbada, da independência?

Embora delicada, essa fase passa. Isso é que é o bom: saber que, com o tempo, passa.

Uma das coisas mais complicadas é entender e aceitar o processo de crescimento e independência dos filhos.

Você acostumou-se com o olhar de carinho e confiança de seu filho dizendo: “Minha mãe que disse”, o que era suficiente para ser considerado “verdade absoluta”. Ele acostumou-se com alguém que acariciou, consolou, cuidou, contou histórias, brincou, protegeu. Por isso esse rompimento é tão difícil.

Ser pai de adolescente é saber “tirar o time de campo” na hora certa. É aprender a compreender, apoiar, dialogar, sem acobertar, superproteger.

Desde que os filhos não estejam fazendo nada que seja realmente prejudicial, o que os pais precisam é apenas entender que os filhos cresceram e aceitá-los como pessoas diferenciadas, muitas vezes totalmente diferentes do que almejaram os pais.

Como disse Kallil Gibran, “Teus filhos não são teus filhos, são filhos e filhas da vida, anelando a si própria. Embora estejam contigo, a ti não pertencem.”

Mas se vocês, pais, tiverem desenvolvido conceitos de dignidade, honestidade, respeito a si mesmo e aos outros, certamente essa fase transcorrerá com mais facilidade e sua maior tarefa terá sido cumprida: a de educar e preparar seu filho para o futuro, para a vida.